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Meu site não aparece no Google: 7 causas técnicas

Se o seu site existe, está no ar e ainda assim ninguém chega nele pela busca, o problema quase nunca é misterioso. Na maior parte das vezes é uma destas sete coisas, e todas dão para verificar por conta própria.

Por Maxwell Rigo Moraes · · Leitura de 6 minutos

Antes das causas, é preciso separar duas coisas que costumam ser confundidas, e essa confusão sozinha já explica boa parte da frustração.

Estar indexado significa que o Google leu a sua página e guardou uma cópia dela no índice. Ser exibido significa que, para alguma busca real de alguma pessoa real, ele decidiu que a sua página era a melhor resposta disponível. São etapas diferentes, e a segunda é muito mais difícil que a primeira.

É perfeitamente possível ter todas as páginas indexadas, o Search Console mostrando tudo verde, e zero clique orgânico por meses. Já vi isso muitas vezes. Quando acontece, o site não tem problema de rastreamento: tem problema de relevância. As causas abaixo cobrem os dois casos, começando pelas que impedem a indexação e terminando nas que impedem o posicionamento.

1. O site está pedindo para não ser indexado

É a causa mais simples e a mais dolorosa, porque costuma ser um resto de configuração de quando o site estava em desenvolvimento. Duas formas: uma linha Disallow no arquivo robots.txt bloqueando o rastreamento, ou uma tag <meta name="robots" content="noindex"> no HTML pedindo explicitamente para o Google não guardar a página.

Como verificar

Acesse seusite.com.br/robots.txt no navegador e leia o que está escrito. Se houver Disallow: / logo abaixo de User-agent: *, o site inteiro está bloqueado. Depois, abra qualquer página, use Ctrl+U para ver o código-fonte e procure por noindex. Se aparecer, é isso.

Como corrigir

Remova o bloqueio e peça a reindexação no Search Console, pela ferramenta de inspeção de URL. É a correção que dá resultado mais rápido de todas desta lista, às vezes em poucos dias.

2. O conteúdo só existe depois que o JavaScript roda

Sites feitos em certos frameworks entregam ao navegador uma página praticamente vazia e montam o conteúdo por JavaScript depois. O Google até consegue executar JavaScript, mas isso acontece numa segunda passada, com fila e com custo. Nem sempre acontece, e quando acontece é mais devagar.

Como verificar

Ctrl+U abre o código-fonte original, antes de qualquer JavaScript. Procure ali por um parágrafo que você sabe que existe na página. Se o texto não estiver no código-fonte, ele não existe para o buscador na primeira leitura. Outra forma: desabilite o JavaScript nas configurações do navegador e recarregue.

Como corrigir

O conteúdo principal, ou seja, títulos, textos e links de navegação, precisa vir no HTML inicial. Dependendo da tecnologia, isso significa renderização no servidor ou geração estática. Efeito visual pode continuar a cargo do JavaScript; o texto, não.

3. A página não tem conteúdo suficiente para competir

Uma página de serviço com trezentas palavras, sendo boa parte delas menu e rodapé, dá ao Google muito pouco para trabalhar. Ele consegue indexar, mas não encontra motivo para preferir a sua página à de um concorrente que escreveu de verdade sobre o assunto.

Como verificar

Copie o texto visível de uma página, só o miolo, sem menu e rodapé, e cole num contador de palavras. Depois faça o mesmo com a página do concorrente que aparece em primeiro lugar para o termo que você quer. A diferença costuma ser evidente.

Como corrigir

Escreva o que o cliente pergunta antes de fechar: para quem o serviço serve, o que está incluído, como é o processo, quanto tempo leva, o que costuma dar errado. Não é encher linguiça com sinônimo. É responder de verdade. Conteúdo raso não engana mais ninguém desde as atualizações de conteúdo útil do Google.

4. Você está competindo em termo nacional sem ser nacional

Esta é, na minha experiência, a causa mais subestimada. Um profissional ou uma empresa pequena que disputa a busca "criação de sites" está competindo com agências que têm anos de autoridade acumulada e orçamento de conteúdo. É briga perdida.

Já a busca "criação de sites em Canoas" tem um punhado de concorrentes reais, e quem faz é justamente quem trabalha na região. O erro comum é o site não dizer em lugar nenhum onde a empresa fica e quem ela atende.

Como verificar

Procure pelo nome da sua cidade dentro do seu próprio site. Se não aparecer no texto das páginas, nem nas meta descriptions, nem nos dados estruturados, o Google não tem como associar você a busca nenhuma da sua região.

Como corrigir

Mencione a cidade e a região de forma natural no corpo do texto, adicione o endereço da área de atendimento nos dados estruturados e mantenha o Perfil da Empresa no Google preenchido com exatamente o mesmo nome, telefone e cidade que estão no site. Divergência entre os dois enfraquece os dois.

5. A estrutura de títulos está quebrada

A hierarquia de h1 a h6 é como o Google entende a organização do conteúdo. Página com três h1, ou que pula de h1 direto para h3, ou que usa título grande só porque a fonte fica bonita, entrega uma estrutura confusa.

Como verificar

Ctrl+U e procure por <h1. Deve haver exatamente um por página, e ele deve descrever o assunto principal. Depois confira se os h2 vêm antes dos h3, sem saltos.

Como corrigir

Um h1 por página, h2 para as seções, h3 para subseções. Tamanho de fonte se resolve no CSS. A tag existe para dar significado, não aparência.

6. O site demora a carregar

Velocidade é fator de classificação, mas o efeito indireto é ainda maior: se a página leva vários segundos para aparecer no celular, boa parte das pessoas desiste antes de ver qualquer coisa. O Google percebe esse abandono.

Como verificar

Rode o PageSpeed Insights do Google no endereço da página e olhe a aba de dispositivos móveis, não a de desktop. Os três indicadores que importam são o tempo até o maior elemento aparecer, a estabilidade do layout enquanto carrega e a resposta ao primeiro toque.

Como corrigir

Os culpados de sempre: imagens enormes servidas em tamanho original, fontes que travam a exibição do texto, scripts de terceiros carregados antes do conteúdo e telas de carregamento que seguram a página. No fim, é quase sempre peso desnecessário. E peso desnecessário se remove.

7. Canonical errado ou conteúdo duplicado

Quando o mesmo conteúdo está acessível por vários endereços (com e sem www, com e sem https, com e sem barra no final), o Google escolhe um para exibir e ignora os outros. Se a tag canonical apontar para o endereço errado, ou se todas as páginas apontarem para a home, você está pedindo para ele ignorar o site inteiro.

Como verificar

Ctrl+U e procure por rel="canonical". Cada página deve apontar para o próprio endereço, em URL absoluta e na versão canônica do domínio. Confirme também que a versão sem www redireciona para a com www, ou o contrário, desde que seja sempre a mesma escolha.

Como corrigir

Escolha uma versão do domínio, redirecione as demais para ela e coloque em cada página um canonical apontando para si mesma. Se houver páginas com conteúdo praticamente idêntico, junte-as numa só: duas páginas fracas competindo entre si rendem menos que uma boa.

Por onde começar

Na ordem: primeiro confira se existe bloqueio de indexação, porque é o que impede tudo o mais. Depois veja se o conteúdo aparece no HTML sem JavaScript. Resolvidos esses dois, o site está tecnicamente visível, e o jogo passa a ser de relevância: conteúdo, ancoragem geográfica e velocidade.

Foi exatamente esse caminho que percorri no diagnóstico do site da Braskit, que estava no ar, bonito, e simplesmente não ranqueava. Nenhuma das causas era exótica: eram itens desta lista, somados.

Se depois de percorrer os sete pontos você não conseguir identificar o que está travando o seu site, é disso que trata o serviço de SEO e manutenção de sites. O diagnóstico inicial é sem custo, e você recebe a lista do que encontrei mesmo que decida corrigir por conta própria ou com outra pessoa.

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